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O SPMB pediu que se celebrasse Missa em
sufrágio das almas de D. Amélia de Leuchtenberg e
de D. Luiz o Príncipe Perfeito hoje, na Imperial
Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de
Janeiro.
Segue
abaixo a mensagem que enviamos aos nossos amigos, por ocasião
desta data tão memorável.
RIO DE JANEIRO,
26 DE JANEIRO DE 2003.
• Há 130 anos, falecia S.M.I. a Augusta Senhora D.
Amélia, Imperatriz Viúva do Brasil e Duquesa Viúva
de Bragança, no Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa.
Nascida Amélie-Augusta-Eugénie-Napoléone de
Beauharnais et Wittelsbach, em Munique, aos 31 de julho de
1812. Há crônicas que registram que ela teria nascido em
Milão, pois seu pai lá estava como Vice-Rei da
Itália napoleônica de então. Porém, tudo
indica que ela tenha mesmo nascido em seu lar materno.
Foi Nobre (viscondal) de Beauharnais ao nascer e, mais tarde, Princesa
de Leuchtenberg (1817).

D.
Amélia na época de seu consórcio.
Era a segunda filha de S.A.I. Eugène (*1781 †1824),
filho e sucessor do Visconde de Beauharnais morto na guilhotina. Foi
Marechal da França Napoleônica e Príncipe
Francês, pois enteado e filho adotivo do Imperador dos Franceses,
Napoléon I (*1769 †1821).
A primeira mulher de Napoléon foi Joséphine
(*1763 †1814) (nascida Nobre de Tascher de La Pagérie),
Imperatriz dos Franceses. Seus dois filhos, Eugène e Hortense,
foram adotados pelo marido dela. Hortense (*1783 †1837) casou-se com o
irmão de Napoléon, Louis (*1778 †1846), que foi "Rei da
Holanda" (Império Napoleônico); estes foram o pai de
Charles-Louis-Napoléon (*, mais tarde Presidente da
República francesa (1848) e Imperador dos Franceses (1852-1870),
como Napoléon III.
Eugène de Beauharnais foi Vice-Rei da Itália (1805) e
Príncipe tit. de Veneza (1807), depois Grão-Duque de
Frankfurt (1810), tudo no seio do Império Napoleônico.
Findo o Império do Corso, foi recebido pelo sogro, Maximilian
I, 1º Rei da Baviera, na Corte dos Wittelsbach. O Rei
titulou-o DUQUE DE LEUCHTENBERG e PRÍNCIPE DE EICHSTÄTT
(Alteza Real ad personam e Alteza Sereníssima para todos os
descendentes) em 1817.
Eugène era casado, desde 1806, com Augusta-Amalia (*1788 †1851),
segunda filha do Duque Reinante Maximilian IV Joseph de Duas-Pontes
(*1756 †1825), Eleitor Palatino da Baviera que se tornou REI DA BAVIERA
em 1805 e da Eleitora Consorte, nascida Princesa e Landgravina
Wilhelmine Augusta de Hesse-Darmstadt (*1765 †1796).
A Senhora Princesa Amélie de Leuchtenberg
casou-se, por procuração, com o Imperador Senhor
D. Pedro I do Brasil, em Munique, aos 2 de agosto de 1829 e
aqui na Capela Imperial do Rio de Janeiro, em pessoa, a 17 de outubro
do mesmo ano.
Veio
disposta a educar e criar os órfãos de D. Maria
Leopoldina, coisa que fez com esmero. Introduziu uma rígida
etiqueta de corte em São Cristóvão e no Rio, em
geral. Tentou afastar de seu marido os maus conselheiros, sobretudo o
"Chalaça". Sua vinda foi responsável pelo definitivo
banimento da Corte de Domitila de Castro Canto e Mello, a famigerada
Marquesa de Santos.
Também em decorrência de sua chegada é que foi
criada a Imperial Ordem da Rosa.
D. Amélia gerou com D. Pedro I, quando estavam no Brasil, a
nossa Princesa D. Maria Amélia, que naceu em Paris, no
dia do aniversário de coroação de seu pai (1º
de dezembro de 1831).

D.
Maria Amélia do Brasil.
A
Princesinha foi noiva do Arquiduque Maximilian da Áustria
(*1832 †1867), seu primo-tio que viria a ser o infeliz Imperador do
México. Ela morreu tuberculosa em Funchal, na Ilha da Madeira,
em 4 de fevereiro de 1853. Até hoje lá existe o HOSPITAL
PRINCESA D. MARIA AMÉLIA, em sua homenagem; foi fruto da
caridade de sua mãe para com a comunidade local, que muito
afeiçoou-se à Imperatriz Viúva e sua filha.
D. Amélia suportou com resignação a viuvez,
criando sua filha única e - pasme-se(!) - a Senhora D.
Isabel Maria de Alcantara Brasileira (*1824 †1898), Duquesa de
Goiás, com desvelo. Arrumou para esta o casamento com um nobre
bávaro, Ernst Fischler von Treuberg (*1816 †1867), Conde
de Treuberg, Barão de Holzen, filho da Princesa Maria Crescenta
de Hohenzollern-Sigmaringen.
Teve um relacionamento ruím com sua enteada, a Rainha Senhora D.
Maria II (*1819 †1853), que passou a não querer muito bem
à madastra, após alguns episódios políticos
em Portugal envolvendo a Regência de D. Fernando II.
D. Maria II havia sido casada, em segundas núpcias, com o
irmão de D. Amélia, S.A.R. o Senhor
Auguste-Charles-Eugéne-Napoléon de Beaharnais et
Wittelsbach (*1810 †1835), que foi o 2º Duque de Leuchtenberg
e Príncipe de Eichstätt, na Baviera, Visconde de
Beauharnais em França e Duque de Santa Cruz no Brasil. D.
Augusto foi Príncipe Consorte de Portugal por apenas dois meses,
quando a morte por angina maligna veio levá-lo prematuramente.
Em compensação, dava-se D. Amélia
muitíssimo bem com D. Pedro II, que por toda a vida chamou-lhe
de Minha Mãe. Teve participação ativa nos arranjos
de casamento das filhas de D. Pedro, suas "netas" D. Isabel Christina e
D. Leopoldina Thereza.
DONA AMÉLIA DO BRASIL foi irmã de Josephine (*1806
†1876), Rainha da Suécia e da Noruega pelo casamento com Oskar
I, 2º Rei da Suécia da Casa de Bernadotte; foi
prima-irmã materna tanto de Franz-Joseph I quanto de sua esposa
Sissi (Elisabeth), Imperadores da Áustria, Reis da Hungria e da
Bohêmia, etc. e foi também prima-irmã paterna de
Napoléon III...

D.
Amélia em 1861.
Col. PRINCESA MÃE DO BRASIL.
Faleceu um tanto esquecida - sobretudo pelos BRASILEIROS,
infelizmente - há 130 anos atrás... E talvez possa se
dizer que continua no mesmo esquecimento até hoje...
Jaz ao lado de D. Pedro I e de D. Leopoldina no Monumento
à Independência do Brasil, às margens do
Rio Ipiranga, em São Paulo (Museu Paulista).
Por sufrágio de sua alma o Revmo. Senhor Pe. Sérgio
Costa-Couto, Capelão da Imperial Irmandade de Nossa Senhora
da Glória do Outeiro, celebra a Santa Missa de hoje.
D. Amélia foi Protetora Perpétua e Grande
Benemérita da Irmandade. Pessoalmente, foi uma das maiores
doadoras de peças do acervo. Prestou juramento como Caríssima
Irmã a 10 de dezembro de 1829 e fez a troca das vestes de
Nossa Senhora a 5 de agosto de 1830.
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•
Há 125 anos nascia S.A.I.R. o Senhor D. Luiz Maria
Philippe Pedro de Alcantara Gastão Miguel Gabriel Raphael
Gonzaga de Orleans e Bragança, Príncipe do
Brasil, Príncipe de Orleans-e-Bragança, no Palácio
da Princesa em Petrópolis (26 de janeiro de 1878).
Segundo
filho de SS.AA.II.RR. o Senhor D. Gastão (*1842 †1922) e
a Senhora D. Isabel (*1846 †1921), então
Príncipes Imperiais do Brasil e herdeiros de D. Pedro II (*1825
†1891).
O pequeno D. Luiz tinha 12 anos incompletos quando
instalou-se a República no Brasil; partiu para o exílio
com seus pais, seus irmãos D. Pedro e D. Antonio e seus
avós naquela fatídica madrugada de 16 para 17 de novembro.

A Família Imperial no exílio com a
Família Condal de Barral (1890).
D. Luiz está à esq, sentado numa cadeira em frente a seu
irmão mais velho.
Col. OTTO DE SÁ PEREIRA
Em 30 de outubro de 1908 seu irmão mais velho, D.
Pedro de Alcantara, então Príncipe Imperial do Brasil no
exílio, renunciou aos direitos e título do Brasil em
Cannes (França), o que fez recair nele a posição e
as funções inerentes à condição de
herdeiro do Trono Imperial brasileiro.
D.
Luiz tinha uma inteligência vivaz; correspondeu-se com grandes
intelectuais brasileiros das décadas de 10 e 20. Era amigo de
Oliveira Lima, de João do Rio, etc. Enquanto viveu, foi a maior
das ameaças ao instável regime republicano no Brasil,
conforme ressalta Gilberto Freyre em Ordem e Progresso.
Em
4 de novembro de 1908 desposou sua prima D. Maria Pia (*1878
†1973), Princesa das Duas Sicílias, Princesa de Bourbon-Anjou,
filha de D. Alfonso (*1841 †1934), Conde de Caserta e Chefe da
Casa Real das Duas Sicílias e da mulher e prima-irmã
deste, a Princesa Senhora D. Maria Antonietta (*1851 †1939).

Cartão de divulgação
monarquista - década de 1910.
Tiveram
três filhos:
1.
D. Pedro Henrique (*1909 †1981), Príncipe do
Grão-Pará ao nascer. Depois, Príncipe Imperial do
Brasil (1920-1921) e Chefe da Casa Imperial e Imperador de jure
do Brasil durante sessenta anos (1921-1981);
2. D. Luiz Gastão (*1911 †1931), Príncipe
Imperial do Brasil (1921-1931);
3. D. Pia Maria (*1913 †2001), Princesa Imperial do Brasil
(1931-1938).
Tentou
rever a Pátria por duas vezes, sendo impedido pelo Governo
Republicano, que se baseava em pareceres de Rui Barbosa.
Autor brilhante, reconhecido em toda a Europa; foi membro do Institut
de France. Escreveu Sous la Croix du Sud (Sob o
Cruzeiro do Sul) e outros livros de viagem.

D. Luiz com seu filho e sucessor
D. Pedro Henrique, em 1910.
Col. PRINCESA MÃE DO BRASIL
O Príncipe Imperial D. Luiz faleceu prematuramente em 26 de
março de 1920, em Cannes, como conseqüência de ter
lutado na I Guerra Mundial. Precedeu a sua Mãe, que finou-se aos
14 de novembro do ano seguinte, no Castelo de Eu.
A
morte de D. Luiz, seguramente, foi o que proporcionou a
suspensão da Lei de Banimento da Família Imperial,
decretada por Epitácio Pessoa em fins de 1920.
Desse
seu primo e grande amigo, disse Albert I (*1875 †1934), Rei dos Belgas:
"Ele é um homem como poucos e é um
príncipe como nenhum". Foi cognominado "o Príncipe
Perfeitíssimo" - muito embora tenha ficado conhecido
posteriormente apenas como Príncipe Perfeito - por seu amigo
Martim Francisco de Andrada, político mineiro monarquista que
muito labutou no Rio de Janeiro pelos direitos da Família
Imperial desterrada.
Está
enterrado na Capela Real de Dreux (mausoléu dos Orléans),
na França, bem como sua fidelíssima esposa. No aguardo de
que o BRASIL deles se lembre e os traga para solo pátrio, como
se deve.
Também
em sua memória celebraremos hoje na Imperial Irmandade de Nossa
Senhora da Glória do Outeiro a Santa Missa.
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