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26.01.2003

O SPMB pediu que se celebrasse Missa em sufrágio das almas de D. Amélia de Leuchtenberg e de D. Luiz o Príncipe Perfeito hoje, na Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro.

Segue abaixo a mensagem que enviamos aos nossos amigos, por ocasião desta data tão memorável.

 

RIO DE JANEIRO, 26 DE JANEIRO DE 2003.


• Há 130 anos, falecia S.M.I. a Augusta Senhora D. Amélia, Imperatriz Viúva do Brasil e Duquesa Viúva de Bragança, no Palácio das Janelas Verdes, em Lisboa.

Nascida Amélie-Augusta-Eugénie-Napoléone de Beauharnais et Wittelsbach, em Munique, aos 31 de julho de 1812. Há crônicas que registram que ela teria nascido em Milão, pois seu pai lá estava como Vice-Rei da Itália napoleônica de então. Porém, tudo indica que ela tenha mesmo nascido em seu lar materno.

Foi Nobre (viscondal) de Beauharnais ao nascer e, mais tarde, Princesa de Leuchtenberg (1817).




D. Amélia na época de seu consórcio.


Era a segunda filha de S.A.I. Eugène (*1781 †1824), filho e sucessor do Visconde de Beauharnais morto na guilhotina. Foi Marechal da França Napoleônica e Príncipe Francês, pois enteado e filho adotivo do Imperador dos Franceses, Napoléon I (*1769 †1821).

A primeira mulher de Napoléon foi Joséphine (*1763 †1814) (nascida Nobre de Tascher de La Pagérie), Imperatriz dos Franceses. Seus dois filhos, Eugène e Hortense, foram adotados pelo marido dela. Hortense (*1783 †1837) casou-se com o irmão de Napoléon, Louis (*1778 †1846), que foi "Rei da Holanda" (Império Napoleônico); estes foram o pai de Charles-Louis-Napoléon (*, mais tarde Presidente da República francesa (1848) e Imperador dos Franceses (1852-1870), como Napoléon III.

Eugène de Beauharnais foi Vice-Rei da Itália (1805) e Príncipe tit. de Veneza (1807), depois Grão-Duque de Frankfurt (1810), tudo no seio do Império Napoleônico.

Findo o Império do Corso, foi recebido pelo sogro, Maximilian I, 1º Rei da Baviera, na Corte dos Wittelsbach. O Rei titulou-o DUQUE DE LEUCHTENBERG e PRÍNCIPE DE EICHSTÄTT (Alteza Real ad personam e Alteza Sereníssima para todos os descendentes) em 1817.

Eugène era casado, desde 1806, com Augusta-Amalia (*1788 †1851), segunda filha do Duque Reinante Maximilian IV Joseph de Duas-Pontes (*1756 †1825), Eleitor Palatino da Baviera que se tornou REI DA BAVIERA em 1805 e da Eleitora Consorte, nascida Princesa e Landgravina Wilhelmine Augusta de Hesse-Darmstadt (*1765 †1796).

A Senhora Princesa Amélie de Leuchtenberg casou-se, por procuração, com o Imperador Senhor D. Pedro I do Brasil, em Munique, aos 2 de agosto de 1829 e aqui na Capela Imperial do Rio de Janeiro, em pessoa, a 17 de outubro do mesmo ano.

Veio disposta a educar e criar os órfãos de D. Maria Leopoldina, coisa que fez com esmero. Introduziu uma rígida etiqueta de corte em São Cristóvão e no Rio, em geral. Tentou afastar de seu marido os maus conselheiros, sobretudo o "Chalaça". Sua vinda foi responsável pelo definitivo banimento da Corte de Domitila de Castro Canto e Mello, a famigerada Marquesa de Santos.

Também em decorrência de sua chegada é que foi criada a Imperial Ordem da Rosa.

D. Amélia gerou com D. Pedro I, quando estavam no Brasil, a nossa Princesa D. Maria Amélia, que naceu em Paris, no dia do aniversário de coroação de seu pai (1º de dezembro de 1831).




D. Maria Amélia do Brasil.


A Princesinha foi noiva do Arquiduque Maximilian da Áustria (*1832 †1867), seu primo-tio que viria a ser o infeliz Imperador do México. Ela morreu tuberculosa em Funchal, na Ilha da Madeira, em 4 de fevereiro de 1853. Até hoje lá existe o HOSPITAL PRINCESA D. MARIA AMÉLIA, em sua homenagem; foi fruto da caridade de sua mãe para com a comunidade local, que muito afeiçoou-se à Imperatriz Viúva e sua filha.

D. Amélia suportou com resignação a viuvez, criando sua filha única e - pasme-se(!) - a Senhora D. Isabel Maria de Alcantara Brasileira (*1824 †1898), Duquesa de Goiás, com desvelo. Arrumou para esta o casamento com um nobre bávaro, Ernst Fischler von Treuberg (*1816 †1867), Conde de Treuberg, Barão de Holzen, filho da Princesa Maria Crescenta de Hohenzollern-Sigmaringen.

Teve um relacionamento ruím com sua enteada, a Rainha Senhora D. Maria II (*1819 †1853), que passou a não querer muito bem à madastra, após alguns episódios políticos em Portugal envolvendo a Regência de D. Fernando II.

D. Maria II havia sido casada, em segundas núpcias, com o irmão de D. Amélia, S.A.R. o Senhor Auguste-Charles-Eugéne-Napoléon de Beaharnais et Wittelsbach (*1810 †1835), que foi o 2º Duque de Leuchtenberg e Príncipe de Eichstätt, na Baviera, Visconde de Beauharnais em França e Duque de Santa Cruz no Brasil. D. Augusto foi Príncipe Consorte de Portugal por apenas dois meses, quando a morte por angina maligna veio levá-lo prematuramente.

Em compensação, dava-se D. Amélia muitíssimo bem com D. Pedro II, que por toda a vida chamou-lhe de Minha Mãe. Teve participação ativa nos arranjos de casamento das filhas de D. Pedro, suas "netas" D. Isabel Christina e D. Leopoldina Thereza.

DONA AMÉLIA DO BRASIL foi irmã de Josephine (*1806 †1876), Rainha da Suécia e da Noruega pelo casamento com Oskar I, 2º Rei da Suécia da Casa de Bernadotte; foi prima-irmã materna tanto de Franz-Joseph I quanto de sua esposa Sissi (Elisabeth), Imperadores da Áustria, Reis da Hungria e da Bohêmia, etc. e foi também prima-irmã paterna de Napoléon III...




D. Amélia em 1861.
Col. PRINCESA MÃE DO BRASIL.



Faleceu um tanto esquecida - sobretudo pelos BRASILEIROS, infelizmente - há 130 anos atrás... E talvez possa se dizer que continua no mesmo esquecimento até hoje...

Jaz ao lado de D. Pedro I e de D. Leopoldina no Monumento à Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo (Museu Paulista).

Por sufrágio de sua alma o Revmo. Senhor Pe. Sérgio Costa-Couto, Capelão da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, celebra a Santa Missa de hoje.

D. Amélia foi Protetora Perpétua e Grande Benemérita da Irmandade. Pessoalmente, foi uma das maiores doadoras de peças do acervo. Prestou juramento como Caríssima Irmã a 10 de dezembro de 1829 e fez a troca das vestes de Nossa Senhora a 5 de agosto de 1830.



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• Há 125 anos nascia S.A.I.R. o Senhor D. Luiz Maria Philippe Pedro de Alcantara Gastão Miguel Gabriel Raphael Gonzaga de Orleans e Bragança, Príncipe do Brasil, Príncipe de Orleans-e-Bragança, no Palácio da Princesa em Petrópolis (26 de janeiro de 1878).

Segundo filho de SS.AA.II.RR. o Senhor D. Gastão (*1842 †1922) e a Senhora D. Isabel (*1846 †1921), então Príncipes Imperiais do Brasil e herdeiros de D. Pedro II (*1825 †1891).

O pequeno D. Luiz tinha 12 anos incompletos quando instalou-se a República no Brasil; partiu para o exílio com seus pais, seus irmãos D. Pedro e D. Antonio e seus avós naquela fatídica madrugada de 16 para 17 de novembro.





A Família Imperial no exílio com a Família Condal de Barral (1890).
D. Luiz está à esq, sentado numa cadeira em frente a seu irmão mais velho.
Col. OTTO DE SÁ PEREIRA


Em 30 de outubro de 1908 seu irmão mais velho, D. Pedro de Alcantara, então Príncipe Imperial do Brasil no exílio, renunciou aos direitos e título do Brasil em Cannes (França), o que fez recair nele a posição e as funções inerentes à condição de herdeiro do Trono Imperial brasileiro.

D. Luiz tinha uma inteligência vivaz; correspondeu-se com grandes intelectuais brasileiros das décadas de 10 e 20. Era amigo de Oliveira Lima, de João do Rio, etc. Enquanto viveu, foi a maior das ameaças ao instável regime republicano no Brasil, conforme ressalta Gilberto Freyre em Ordem e Progresso.

Em 4 de novembro de 1908 desposou sua prima D. Maria Pia (*1878 †1973), Princesa das Duas Sicílias, Princesa de Bourbon-Anjou, filha de D. Alfonso (*1841 †1934), Conde de Caserta e Chefe da Casa Real das Duas Sicílias e da mulher e prima-irmã deste, a Princesa Senhora D. Maria Antonietta (*1851 †1939).




Cartão de divulgação monarquista - década de 1910.

Tiveram três filhos:

1. D. Pedro Henrique (*1909 †1981), Príncipe do Grão-Pará ao nascer. Depois, Príncipe Imperial do Brasil (1920-1921) e Chefe da Casa Imperial e Imperador de jure do Brasil durante sessenta anos (1921-1981);
2. D. Luiz Gastão (*1911 †1931), Príncipe Imperial do Brasil (1921-1931);
3. D. Pia Maria (*1913 †2001), Princesa Imperial do Brasil (1931-1938).

Tentou rever a Pátria por duas vezes, sendo impedido pelo Governo Republicano, que se baseava em pareceres de Rui Barbosa.
Autor brilhante, reconhecido em toda a Europa; foi membro do Institut de France. Escreveu Sous la Croix du Sud (Sob o Cruzeiro do Sul) e outros livros de viagem.





D. Luiz com seu filho e sucessor
D. Pedro Henrique, em 1910.
Col. PRINCESA MÃE DO BRASIL



O Príncipe Imperial D. Luiz faleceu prematuramente em 26 de março de 1920, em Cannes, como conseqüência de ter lutado na I Guerra Mundial. Precedeu a sua Mãe, que finou-se aos 14 de novembro do ano seguinte, no Castelo de Eu.

A morte de D. Luiz, seguramente, foi o que proporcionou a suspensão da Lei de Banimento da Família Imperial, decretada por Epitácio Pessoa em fins de 1920.

Desse seu primo e grande amigo, disse Albert I (*1875 †1934), Rei dos Belgas: "Ele é um homem como poucos e é um príncipe como nenhum". Foi cognominado "o Príncipe Perfeitíssimo" - muito embora tenha ficado conhecido posteriormente apenas como Príncipe Perfeito - por seu amigo Martim Francisco de Andrada, político mineiro monarquista que muito labutou no Rio de Janeiro pelos direitos da Família Imperial desterrada.

Está enterrado na Capela Real de Dreux (mausoléu dos Orléans), na França, bem como sua fidelíssima esposa. No aguardo de que o BRASIL deles se lembre e os traga para solo pátrio, como se deve.

Também em sua memória celebraremos hoje na Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro a Santa Missa.


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